Mensagens

2024.3 - A passadeira

Imagem
Estávamos em Maio, num dia solarengo. O cenário era uma rua, cenário de cidade, pessoas a passar, carros a transitar.  Foram colocadas as personagens em cena. Nesse momento a acção concentra-se em apenas duas delas, como se o resto, à volta, ficasse escuro ou nublado. Essas duas personagens avançam ao longo da rua, em direcções opostas, cada uma delas imersa nas suas ideias e a seguir o seu destino.  Já lemos alguns capítulos desta história. Temos conhecimento que aquelas personagens já se conhecem, já se cruzaram, e que, por esse motivo, a cena que se desenrola indicia que iremos presenciar o seu reencontro. Portanto, do nosso ponto de vista, tudo desenrola-se de forma normal. No entanto, à medida que a distância entre as personagens encurtece, ao ponto de possivelmente se verem uma à outra, eis que uma delas tem uma reação inesperada, um movimento que surge por instinto, quase é quase como fecharmos os olhos quando algo se aproxima das nossas pestanas. Uma das personagem rec...

2024.2 - Livro “Antes Que o Café Arrefeça - De Regresso a Tóquio” de Toshikazu Kawaguchi

Imagem
Livro “Antes Que o Café Arrefeça - De Regresso a Tóquio” de Toshikazu Kawaguchi. Livro que dá continuidade, ou que complementa, o anterior livro com o mesmo nome “Antes que o café Arrefeça”. Este novo livro apresenta - nos 4 novas histórias, sendo que três delas são viagens ao passado e uma delas uma viagem para o futuro. As regras das viagens no tempo mantêm - se em relação ao livro anterior, sendo que, das várias regras ou condições existentes, as duas mais pertinentes são talvez o facto de não se poder alterar o presente quando se vai ao passado, e haver um limite de tempo, nesse caso relativamente curto, para se estar no passado ou no futuro. Os encontros a que assistimos, das personagens com algum familiar ou amigo, passados noutra linha temporal, parecem ser relativamente curtos (devido, precisamente, ao limite de tempo, regulado pela temperatura do café), mas consegue ainda assim ser manter a sua característica de ser como o ”auge” de cada história. É aquele momento que ansiamos...

2024.1 - Solidão

Imagem
 Uma coisa é a solidão que é pode sentir por se estar sozinho, outra coisa é estar preso ou ligado à uma solidão quase imposta, como se fossemos constantemente relembrados de que a solidão existe e está presente para não nos deixar sós.

2023.3 - A Mulher do Dragão Vermelho - José Rodrigues dos Santos

Imagem
“A Mulher do Dragão Vermelho” é um título que, sem ler a respectiva sinopse, pode levar-nos a pensar que estamos perante um livro relacionado com fantasia ou perante um livro que nos vai contar uma história de aventuras samurais algures no oriente. Mas não é nada disso que se trata. O livro fala-nos essencialmente da evolução do Partido Comunista Chinês (PCC), nomeadamente a sua relação com o mundo exterior, as suas atitudes e ideologias, e sobretudo as suas atrocidades para com etnias que embora parte delas com origens noutros países vizinhos, também têm alguma expressão (entende-se por expressão existência) na China.  Como é o primeiro livro que leio do autor José Rodrigues dos Santos (apelidado por alguns de “o Dan Brown português” … alcunha que, a julgar pelos títulos e temáticas dos seus livros, não é de estranhar) não me vou pronunciar sobre a personagem de Tomás Noronha que, pelo que sei, faz parte de outros livros do autor e é uma personagem recorrente nas suas estórias. O ...

2023.2 - As Velas Ardem Até ao Fim - Decisão

Imagem
Este Post era para ter sido publicado antes, mas ficou aqui como rascunho à espera de ver a luz do dia, a sua oportunidade de poder ser partilhado. Não que seja um post muito interessante, mas ainda acho sempre fica melhor partilhado do que guardado como rascunho.  No texto do post, quando se refere à "última entrada aqui no blog", estou em crer que o mesmo se refere ao post cujo título era ""Novas pessoas, novos amigos" (https://fragmentos-repartidos.blogspot.com/2022/09/novas-pessoas-novos-amigos.html). ----------------------- Há um livro cujo título sempre me cativou, mas que ainda não tive oportunidade de o ler. O mesmo chama-se "As velas ardem até ao fim" de Sándor Márai. Lembrei-me do livro ao acaso e curiosamente o seu título [quase que] encaixa na perfeição na última entrada aqui no blog. Não querendo com isso dizer seja literalmente o reflexo da realidade, mas a sinopse do livro centra-se também no tema da amizade, da distância, da ausência. ...

2023.1 - Escolhas

Imagem
  Ao longo da vida deparamo-nos com inúmeras escolhas, inúmeras situações em que temos de optar entre duas ou mais opções.  Algumas dessas escolhas são colocadas perante nós sem que sequer tenhamos noção das mesmas. Algumas vezes, só mais tarde é que nos apercebemos que tivemos de fazer uma escolha, pois na realidade até ao momento dessa percepção ou constatação, pensávamos que estávamos simplesmente a seguir o rumo das coisas. Contudo, existem outras escolhas que não podem ser evitadas, e sabemos que temos de tomar uma decisão perante a situação. Enfrentar as opções, tentar prever o resultado da escolha como se estivéssemos num jogo de xadrez, prever as jogadas e resultados que irão eventualmente corresponder a um futuro, almejando sempre uma possível vitória, o melhor resultado possível. Todavia, e dado que a capacidade de previsão poderá ser limitada até um certo número de jogadas possíveis, e também estar dependente de outras bifurcações que podem surgir, e ainda de condic...

Novas pessoas, novos amigos

Imagem
  Conhecer novas pessoas, e sobretudo novos amigos, é sempre uma experiência interessante, principalmente se for possível manter o factor surpresa como um dos ingredientes principais. A fase da descoberta, das semelhanças e das diferenças, dos interesses comuns e dos interesses tão diferentes dos nossos, a possibilidade de partilha de experiências e vivências já vividas e a possibilidade de novas convivências, resultando em momentos que se traduzem na criação de novas memórias. Não é tarefa fácil, sobretudo nos dias que correm, conseguir-se tal feito (novos amigos), daí que seja algo que adquire uma importância acrescida. Tal situação também dota-nos de uma nova responsabilidade, a responsabilidade de alimentar e nutrir a amizade, sob pena da mesma se desvanecer como o fumo que sobe no ar até não existir mais. Nesse caso poderíamos ainda sentir o cheiro, mas este apenas serviria para nos relembrar do fracasso, para nos fazer ver as cores da saudade.