2025.6 - Amizades


Por vezes ansiamos tanto por construir uma amizade que acabamos por perder a capacidade de distinguir o que está certo do que está errado. Perdemos o discernimento para perceber quem se aproxima com boas intenções e quem o faz movido pelo egocentrismo. Há pouco lia num blogue que “não nascemos para viver sozinhos”. Não podia concordar mais. A nossa sobrevivência — emocional e até física — depende disso. É verdade também que devemos estar gratos por ter a nossa família, sobretudo quando se trata de uma família que nos apoia e acompanha a nossa caminhada incerta. No entanto, isso não invalida a necessidade profunda de criar amizades com quem nos rodeia, algo que se torna ainda mais valioso quando essas pessoas partilham dos nossos interesses, ideias e hábitos.

Há perdas que nos deixam um vazio difícil de descrever. Perder uma amizade é um desses casos. E essa perda pode manifestar-se de várias formas. Há a amizade que desaparece depois de anos de cumplicidade, e há aquela que se perde quando ainda estava a dar os primeiros passos. Ambas podem ser um murro no estômago, independentemente dos motivos ou de quem possa carregar a “culpa”. Para alguns, perder uma amizade de longa data é mais doloroso, porque há uma bagagem de memórias, vivências e experiências partilhadas que sustentavam a relação. Por outro lado, há quem defenda que perder uma amizade ainda em formação pode doer tanto quanto — ou até mais — porque, nessa fase, desenvolvem-se expectativas, projeta-se futuro, imagina-se aquilo que poderia vir a ser. E quando tudo se quebra, fica a incerteza: o que teria acontecido? — a dúvida sobre se aquela teria sido uma amizade que valeria a pena viver e partilhar.

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