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A visita

Fui à tua casa para te visitar mas não estavas lá. De certa forma, isso já eu sabia, mas mesmo assim fui lá. Cheguei e entrei porque a porta estava aberta...a porta está sempre aberta para os amigos. É assim que deve ser. Deixei-me ficar por lá durante algum tempo. Não estavas lá, mas ainda assim não foi por isso que deixei de ficar na tua companhia, na tua companhia através da música, que deixaste algures ligada quando saíste, e que ficou lá a tocar, a dar vida à casa, àquele espaço, independentemente do tempo que estarias a pensar ficar por fora. Talvez tenhas ido apanhar ar, libertar a mente para novos pensamentos, novas ideias, novas vivências, novas memórias, novos sons, novas palavras...Todos nós sentimos essa necessidade porque estar estagnado cansa e é como estar parado no espaço e no tempo. Quando se está nesse estado é quase como estar sem vida e não é assim que devemos viver o dia-a-dia. Vagueei pela casa guiado pelos sons e revisitei algumas das molduras...

It’s alright love, you’re in good hands

Liberto os meus braços e deixo as minhas mãos procurarem-te. Elas percorrem o vazio da escuridão, seguem o seu caminho para descobrirem o teu rosto, o teu cabelo, o teu sossego. Quando te encontram, dançam em movimentos serenos e toques suaves, que mesmo assim, causam um rebuliço no meu coração, fazendo o meu corpo estremecer em soluços quentes debaixo de uma chuva salina que aumenta a temperatura do meu ser, dos meus olhos e me faz vaguear nas memórias. Percorro essas memórias e é como se eu estivesse a descer um rio onde nas suas margens pudesse ver o reflexo da vida e em simultâneo alguns flashes de hipotéticos momentos futuros. Em certos e prolongados momentos o meu braço envolve o teu corpo puxando-o para junto do meu e é como se nesse instante me estivesse a agarrar às margens do rio à procura de um apoio, de algo para me segurar e que me ajude a regressar a terra firme. Esses troncos, essas rochas que são as tuas palavras, os teus gestos, os teus afectos,...

Vale a pena ver - I

Vale a pena ver...nem que seja porque foi filmado aqui, nesta terra, no meio do Atlântico.... Gomo - Still inside your mind

O meu olhar

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O tocador de violino

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Naquela tarde, ou inicio de tarde, que por acaso era Sábado [ mas para nós, e porque naqueles dias não havia dias definidos, já que eles eram especiais e eram nossos, não pertenciam a uma semana ou a um calendário, pertenciam a nós], vagueávamos sem saber ao certo o que é que procurávamos, sem saber qual era o nosso destino ou as nossas intenções. Pairava no ar uma sensação de desamparo [em tom de certa desorientação] e de uma ligeira tristeza que era como o reflexo do céu nas pequenas poças resultantes da acumulação das gotas de água que iam caindo e que se espalhavam ao longo dos passeios e das ruas, era uma sensação de falta de ligação em relação àquele local, em relação àquelas ruas que percorríamos e que, ao passarmos por elas, tentávamos decifrar os seus cheiros, o seu ambiente e a sua lida diária caso não fosse Sábado ao inicio da tarde e as nuvens não estivessem a gotejar de quando em quando. Apesar de toda a melancolia que se podia sentir, tudo isso tinha algo de agradável, t...

Palavras que ouvi, nomes que ouvi

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Foram palavras que ouvi e foram silêncios que quebrei e quebrei-os para mim. Desde então, continuam a fazer eco e fico cansado de me ver a ouvir tais palavras. Foram palavras que foram ditas e que, embora não tenham sido fogo de artifício, foi como se explodissem em diferentes direcções, com tonalidades e cores que deram origem a formas, a movimentos, que por sua vez geraram algo que ganhou vida num espaço e num tempo, existiram, e apesar de terem existido no invisível é como se existissem ou tivessem existido na realidade, no pálpavel. Eu vi-as, ouvi-as e senti-as! Como em qualquer frase que se pronuncia, existem verbos, adjectivos e eventualmente nomes. E entre nomes e mais nomes, há nomes que causam impacto, e foram esses (ou esse) os responsáveis pelo ruído. Responsáveis por todo um frenesim enfadonho que corrompe os meus pensamentos e faz deles pequenas laminas afiadas dispostas como se fossem armadilhas com olhos enraivecidos e dentes cerrados... armadilh...

Sem sabor

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Ontem, ou anteontem, alguém dizia que para além de perdoarmos os outros temos que conseguir ser capazes de nos perdoar para podermos seguir em frente em certas etapas da nossa vida. Tendo em conta parte do último “post” deixado aqui no blogue, poderei dizer que concordo com essa afirmação... até porque por vezes o uso de palavras escritas, em detrimento daquelas que por algum motivo não ditas, não conseguem chegar ao seu destinatário, ou se chegam e o resultado não é o esperado, sendo que esse seria principalmente o facto de conseguir acabar por ser de alguma forma indultado, resta sermos nós a arranjar uma forma de nos desprendermos da culpabilidade ou da ideia de a possuir. Não somos perfeitos, e sei que o mais provável é já estarmos cansados de ouvir isso porque usam muitas vezes essa desculpa para justificar os seus erros, mas não nos podemos dar ao luxo de tapar o sol com a peneira todas as vezes que achamos não fazer mal errarmos em algo, e que da próxima vez as coisas hão-de ...