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O tocador de violino

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Naquela tarde, ou inicio de tarde, que por acaso era Sábado [ mas para nós, e porque naqueles dias não havia dias definidos, já que eles eram especiais e eram nossos, não pertenciam a uma semana ou a um calendário, pertenciam a nós], vagueávamos sem saber ao certo o que é que procurávamos, sem saber qual era o nosso destino ou as nossas intenções. Pairava no ar uma sensação de desamparo [em tom de certa desorientação] e de uma ligeira tristeza que era como o reflexo do céu nas pequenas poças resultantes da acumulação das gotas de água que iam caindo e que se espalhavam ao longo dos passeios e das ruas, era uma sensação de falta de ligação em relação àquele local, em relação àquelas ruas que percorríamos e que, ao passarmos por elas, tentávamos decifrar os seus cheiros, o seu ambiente e a sua lida diária caso não fosse Sábado ao inicio da tarde e as nuvens não estivessem a gotejar de quando em quando. Apesar de toda a melancolia que se podia sentir, tudo isso tinha algo de agradável, t...

Palavras que ouvi, nomes que ouvi

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Foram palavras que ouvi e foram silêncios que quebrei e quebrei-os para mim. Desde então, continuam a fazer eco e fico cansado de me ver a ouvir tais palavras. Foram palavras que foram ditas e que, embora não tenham sido fogo de artifício, foi como se explodissem em diferentes direcções, com tonalidades e cores que deram origem a formas, a movimentos, que por sua vez geraram algo que ganhou vida num espaço e num tempo, existiram, e apesar de terem existido no invisível é como se existissem ou tivessem existido na realidade, no pálpavel. Eu vi-as, ouvi-as e senti-as! Como em qualquer frase que se pronuncia, existem verbos, adjectivos e eventualmente nomes. E entre nomes e mais nomes, há nomes que causam impacto, e foram esses (ou esse) os responsáveis pelo ruído. Responsáveis por todo um frenesim enfadonho que corrompe os meus pensamentos e faz deles pequenas laminas afiadas dispostas como se fossem armadilhas com olhos enraivecidos e dentes cerrados... armadilh...

Sem sabor

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Ontem, ou anteontem, alguém dizia que para além de perdoarmos os outros temos que conseguir ser capazes de nos perdoar para podermos seguir em frente em certas etapas da nossa vida. Tendo em conta parte do último “post” deixado aqui no blogue, poderei dizer que concordo com essa afirmação... até porque por vezes o uso de palavras escritas, em detrimento daquelas que por algum motivo não ditas, não conseguem chegar ao seu destinatário, ou se chegam e o resultado não é o esperado, sendo que esse seria principalmente o facto de conseguir acabar por ser de alguma forma indultado, resta sermos nós a arranjar uma forma de nos desprendermos da culpabilidade ou da ideia de a possuir. Não somos perfeitos, e sei que o mais provável é já estarmos cansados de ouvir isso porque usam muitas vezes essa desculpa para justificar os seus erros, mas não nos podemos dar ao luxo de tapar o sol com a peneira todas as vezes que achamos não fazer mal errarmos em algo, e que da próxima vez as coisas hão-de ...

Enquanto vivemos o presente

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Enquanto vivemos o presente, nem sempre pensamos como será recordar esse presente num futuro a curto, médio ou longo prazo. Vivemos o presente pensando que estamos a vive-lo da melhor forma possível [mesmo sabendo que há coisas que poderiam estar melhores, pois como humanos que somos, raramente estamos satisfeitos com o que temos, e isso é um erro que cometemos, e infelizmente só nos lembramos disso quando vemos algo ou alguém em pior situação que nós], pensamos que estamos a fazer as coisas certas e da forma mais correcta possível, pensamos que estamos a receber e a retribuir aquilo que precisamos uns dos outros [ e aquilo que precisamos por vezes não é muito, é somente um simples aceno, um sorriso, um sinal que nos indique que não estamos sós e que fazemos parte dos bons pensamentos e intenções de quem convive connosco] e que temos alguém que pensa em nós, que vive de nós e para nós, e que nos motiva a fazer o mesmo. Como acontece com todos nós, somos levados nas ondas do tempo. Mu...

Um pensamento, uma intuição, um sonho

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Nunca pensei que seguir um pensamento, uma intuição ou um sonho me pudesse arrastar para tão longe. É como se a minha razão fosse invadida por uma hera que cresce desmesuradamente, atacando-me sempre que me apanha distraído, independentemente da cor do céu ou do local onde me encontro. Tinha a perfeita noção que as batalhas entre o pensar e o sentir não eram fáceis de ultrapassar, mas quando esses dois factores se encontram deturpados, as dificuldades ganham novas dimensões e é como se fosse arrastado por uma corrente que me leva não sei para onde, só sei que não é para nenhum lugar seguro. Resta a todo o custo conseguir encontrar algo/alguém que possa segurar o meu braço e evitar o pior. Hoje, a minha noção está modificada e já não sei o que pensar em relação a isso. Quando penso que já estou com os pés em terra firme, seguro e confiante, eis que surge outra intempérie e vejo-me novamente a tentar encontrar chão debaixo dos pés. O meu porto seguro são os momentos de lucidez que me p...

Gotta figure it out

Quando há músicas que dizem quase tudo, ou quase aquilo que queremos dizer ou sentimos em determinado momento dia ou estado de espirito, vale a pena partilhá-las de alguma maneira possível. I separated my heart from my head To feel out what`s inside I don`t like what i see so i say Good night Don`t wake me cuz i`m dreaming in color Black and white is not my friend Candy coded figures only in my bed I`ve never been so deep inside a shadow I`ve never been so insecure of what i know I`ve gotta figure it out I need a story to tell Where`s the feeling i long for I`ve gotta figure it out Before i lose you love Big city streets are calling me loud The busy keeps me high Well this quiet town is wearing me down tonight Well i know that i should stay here for a while Listen to the sound Of my shaky heart Looking for gold in the ground I`ve never been so deep inside a shadow I`ve never been so insecure of what i know I`ve gotta figure it out I need a story to tell Where`s the feeling i long for I...

Feliz Natal

E uma vez mais chegamos àquela altura do ano em que muitas palavras e gestos se repetem. À parte das coisas que já aborrecem por serem repetidas, há sempre algo novo e por vezes há diferenças que tornam quase tudo novo. Talvez seja a essas diferenças que devemos dar a nossa atenção para assim termos algum alento, termos as energias renovadas para mais um ciclo dentro daqueles que constituem as nossas vidas. Para a maioria das pessoas existe uma chama de euforia que desperta nesta altura do ano, euforia esta (que pode ser contagiosa...cuidado!) com a qual devemos ter certos cuidados porque, tal como as coisas que fazemos porque o nosso coração assim manda, corremos o risco de ter de repensar o passado quando este presente estiver ultrapassado, e é certo e sabido que, repensar o passado nem sempre resolve muita coisa, antes pelo contrário. Resta-me dizer a todos os que aqui passarem que, aquilo que desejo para mim e para vós, são uns dias de sossego, se possível na companhia da família ...