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da Noite, o Dia!

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Inúmeras vezes me questiono acerca desse vosso vaguear nocturno pelas ruas de uma vila vazia, muitas vezes fria, silenciosamente adormecida na noite e num sono esporadicamente interrompido pelo barulho de alguma viatura que circula vindo de algures e dirigindo-se para qualquer sítio. Talvez vocês dois façam da noite o vosso dia e essa parece-me uma suposição relativamente fácil de se fazer e tudo o resto permanece, pelo menos para mim, como uma espécie de mistério. O desconhecido é para nós como um mistério.  Talvez eu esteja a criar ideias que incidem sobre algo normal. Algo normal como sair à noite. E se calhar estou a fazer isso algo mais estranho ou incomum do que realmente o é. Não conheço o vosso passado, nem tão pouco o vosso presente ou futuro, mas não consigo deixar de me questionar acerca dessa vossa opção de abandonar os vossos lares e vir andar sem destino pelas ruas desta vila. Sei que a noite consegue ser mágica e despertar em nós sentimentos que durante o dia es...

Pausa nas palavras

Hoje faço uma pausa e deixo as palavras de lado, hoje a sobremesa não são palavras. Talvez hoje não esteja com fome de palavras e em alternativa sinto uma vontade de ver pessoas, de saber e sentir que há pessoas nesse mesmo mundo que por opção ou por instinto, tendo a deixar de fora quando mergulho temporariamente em oceanos de palavras. Essa vontade de ver pessoas não surge do nada. Surge devido a um cansaço, um cansaço talvez visual talvez mental, talvez apenas ilusório, causado pela rotina e consequente isolamento. Surge também devido à claridade luminosa oferecida por um esplêndido dia de sol que ilumina as ruas, os passeios, os carros, as pessoas e tudo o que consegue abranger, libertando um pouco os pensamentos da escuridão imposta através das mais diversas formas de expressão. Vejo pessoas que hoje passam nestas ruas e que provavelmente nunca o voltarão a fazer. São pessoas que vêm de longe, de muito longe, de lugares que desconheço e de lugares que talvez só conheça pelo nome...

Há mais de uma década

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Há mais de uma década que não te via. Não te via a ti e não via a tua prima e mais umas quantas pessoas. Hoje encontrei-te, no entanto continuo sem nunca mais ter visto a tua prima e sem saber nada sobre o seu paradeiro. Não é que ela esteja desaparecida do mundo, pois é possível que ela só esteja desaparecida para aquelas pessoas que possam pensar nela e nunca mais tiveram notícias sobre ela. Certamente estará a fazer o que muitos de nós faz...viver a sua vida. Mas voltando ao encontrar-te...Foi com surpresa que reagimos por estarmos frente a frente novamente depois deste tempo todo. Foi sem dúvida um encontro relativamente fugaz, quase um encontro de quem passa na rua e cumprimenta alguém que também por acaso trilhava aquela rua como parte de um destino ou de uma partida. Felizmente houve tempo para trocar algumas palavras, que sempre sabem melhor do que um cumprimento exprimido através de uma pergunta sem resposta, uma daquelas perguntas solitárias que já não esperam resposta. D...

Outrora

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Outrora...era capaz de caminhar na tua direcção para poder trocar um cumprimento e algumas palavras, seria um bocado de tempo bem passado, mas hoje, hoje parece que há um vazio que o tempo se encarregou de encher. Poderia na mesma caminhar na tua direcção e trocar um cumprimento, mas...e depois? Falaríamos sobre o tempo?!  Falaríamos  sobre as péssimas e já aborrecidas notícias que nos perseguem diariamente?!  Falaríamos  sobre nada?!  Talvez  utilizássemos  palavras de silêncio que poderiam parecer gritos ou um giz a passar num quadro de pedra devido ao seu constrangimento. Seria terrível se fosse isso que acontecesse todas as vezes que as pessoas que se conhecem, por algum motivo seguissem na direcção para a qual podia haver  uma placa apontando e que dizia "Evitar". Infelizmente as relações entre as pessoas podem ser como um monte de neve que acaba por se derreter e transformar em água para depois ser evaporada, sugada pelo ar tornando-se em...

Sensação de paz...

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Nos últimos tempos, o meu tempo, tem sido de certa forma dividido entre um estar na realidade e um estar num mundo ligeiramente à parte dessa realidade, como se eu me pudesse esconder momentaneamente numa cápsula ou numa bolha de sabão, de modo a poder abstrair-me do que me rodeia. Essa divisão faz com que pareça ter um limite de tempo, um limite que se vai redefinindo constantemente, podem ser horas, dias, semanas, e nesse limite, tento estar alheio a determinados problemas, a determinadas situações que me levam a becos que nem sei se têm saída. Entretanto chega a hora de regressar à realidade, a bolha explode, espalha-se no ar em ínfimas gotas de água que desaparecem. É uma sensação ambígua. Pode-se dizer que é um pouco como  aquela sensação de Domingo ao fim da tarde ou à noite. Já que falo em noite...penso agora como sabe bem acordar a meio da noite depois de um sonho que, por mais estranho que seja, nos deixa com uma sensação de paz que nem sei descrever, mas que...

Porque Escrevo...se me transformasse em palavras

"E disse que eu não imaginava a importância das minhas palavras no mundo. Eu, rodeado de silêncio, disse-lhe que não havia palavras que me pertencessem.  Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridículas: amor, esperança, estrelas, e nas palavras mais belas: claridade, pureza, céu. Transformo-me todo em palavras. Ele olhou-me, e tudo isto ele sabia antes de me ter perguntado." José Luís Peixoto, em "Uma Casa na Escuridão" Hoje, se me escrevesse, se me transformasse em palavras, seriam palavras liquidas e quentes. Um quente que haveria de arrefecer e secar com o passar do tempo e cujos efeitos poderiam ser antagónicos. Gostaria de falar de esperança como gostaria de falar de amor, gostaria de poder dedicar-me a falar de coisas ridículas e banais, falar só por falar, mas infel...

Que venha 2012!

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Chegamos mais uma vez ao fim de um ciclo, mas isso não significa necessariamente (como é óbvio) o fim e o início de tudo! É mais uma continuação que nos oferece uma oportunidade de fazermos uma espécie de balanço ao passado recente, uma oportunidade de avaliar os objectivos traçados e de definir novas etapas para os próximos tempos. Assinalar um momento de avaliação do sucesso ou insucesso perante aquilo que havíamos definido para este ano de 2011 que agora deixa cair os últimos grãos de areia da ampulheta que será virada do avesso já amanhã! 2011 foi um ano complicado e neste momento estou dividido entre o medo de chegar a 2012 e a ansiedade de o ver chegar, uma ansiedade quase traduzida numa atitude de "mandem lá isso para cá para ver o que se pode fazer!". Por mais que nos tentemos abstrair da realidade para dar umas migalhas à esperança, é relativamente difícil conseguir fazer isso porque somos cercados pelos gritos de um papão escondido nas noticias da rádio, tv, in...