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Encontrar-te algum dia...

Há coisas que gostaria de te dizer mas que infelizmente não podem ser ditas e ficam comigo porque há coisas que queremos dizer e que para nós podem significar uma coisa e a partir do momento que saem de dentro de nós podem perder todo o seu significado, todo o seu sentido, e isto devido aos mais diversos factores. Queria dizer que te agradeço [para além das vezes que já o disse], queria dizer que queria estar mais próximo de ti, queria...dizer tanta coisa que me chego a perder nas palavras que não encontro. Por vezes acredito que posso contar contigo, noutras vezes fico na dúvida, retraio-me, como se me agachasse num canto. Tenho receio do tempo, do passar do tempo, de desperdiçar o meu tempo por saber que haverá sempre barreiras difíceis de ultrapassar. É como estar numa pequena cidade rodeada por uma enorme muralha intransponível (ideia não original, eu sei, veio de um livro).  Sei que estás algures, mas isso que eu sei, não sei sempre, sei-o só às vezes... Pergunto-me se alg...

A música - Pintura

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Um som ou alguma coisa verdadeira a existir. A nascer, a crescer, a viver. Uma coisa verdadeira e infinitamente bela a agitar-se no ar do salão. Um lamento. Uma angústia a transformar-se de repente numa alegria grande. A caminhar, a correr, a dançar. Um sonho bom a transformar-se numa alegria branda. Glória e espanto. Um som a existir muito. O ar do salão cheio de um milagre invisível. Um segredo profundo a atravessar-nos. Cores. Nenhuma cor. Água, silêncio. Um som ou alguma coisa verdadeira. Tudo isto e nada disto era a música. Excerto de "Uma casa na Escuridão" de  José Luís Peixoto e que em parte serviu de base para este trabalho. A Música - 2012 Óleo sobre Tela 50x60cm

Livros e Pintura

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Nas últimas semanas alguns do meus livros não tiveram sossego e isso poderia acontecer porque estaria a lê-los ou relê-los....mas nesse caso o propósito foi outro e teve a ver com o facto de eu ter que criar 3 telas para participar numa exposição colectiva de pintura (embora diga-se que uma delas, das telas, é que efectivamente tenha dado mais incómodo aos meus livros, pois ainda foram uns quantos aqueles que tiveram de sair do seu cantinho habitual, do seu quase eterno sossego, e passarem a estar espalhados por aqui e por acolá, correndo o risco de serem pincelados ou manchados de tinta ou outro produto envolvido no processo). Dizem que às vezes é preciso fazer sacrifícios...talvez esse tenha sido o sacrifício deles. As ideias surgidas à volta do tema "o Livro" foram muitas, contudo, devido relativa falta de tempo (digo relativa porque muitas vezes essa questão é mesmo relativa), não me consegui "esticar" tanto quanto gostaria porque sei que se o tentasse fazer, ...

Na hora de por a mesa...a saudade

Na hora de por a mesa ....Título de um texto da autoria de José Luís Peixoto que me vem muitas vezes ao pensamento e isso acontece por diversas razões. Uma delas é a relação entre a aparente simplicidade do texto e aquilo que o próprio texto transmite. Podemos ser mais ou menos do que cinco pessoas na hora de por a mesa, mas certamente em algum determinado momento da nossa vida acabamos por sentir a falta de qualquer uma dessas pessoas quando elas, por algum motivo, já não estão presentes. Sentimos a falta de partilhar momentos com essas pessoas, de comunicar com elas. No texto temos o exemplo do "sentar à mesa", algo que representa um momento de partilha familiar que nos dias de hoje se calhar se torna cada vez  menos frequente e em muitos casos é também o único momento do dia em que uma família consegue estar toda junta e partilhar certos aspectos ou momentos das suas vidas, nem que seja apenas por alguns minutos. Nas restantes horas do dia, ou estão fora de casa ou estão e...

Tempestade

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Dentro de mim existe uma tempestade de sentimentos que tenho dificuldades em cataloga-los por serem tão contraditórios quando comparados uns com os outros. Uma revolução que me deixa desnorteado e sem saber o que pensar porque a agitação é de tal forma grande que a calma necessária para articular qualquer pensamento é escassa. Preferia obviamente estar a viver uma espécie de euforia no sentido positivo daquilo que podemos considerar uma euforia, mas infelizmente não é esse tipo de intempérie que percorre quem eu sou nesses últimos tempos. Quero sentir alegria, felicidade, esperança (quem não queria nos tempos que correm?!), mas é difícil encontrar os motivos que justifiquem esses estados de espírito a longo prazo ou de forma duradoura. Ao invés disso sinto uma dormência de vontades que se transforma numa espécie de raiva que por sua vez se transforma numa espécie de inutilidade, incapacidade de reagir, de lutar e reivindicar qualquer coisa que nem eu próprio percebo bem o quê porq...

Nadar

Tento nadar neste mar revolto ao mesmo tempo que sinto o medo tomar conta de mim e impede-me de aventurar muito nas suas águas. É como se me escondesse atrás de uma rocha à espera que a tempestade passe e as ondas se desvaneçam suavemente como se adormecessem num manto de agua ou fizessem as pazes com as rochas da encosta.  Quero sair dessa espécie de bóia de salvação e aventurar-me nessas águas onde podem haver outras pessoas que também se tentam manter à superfície. Chego a pensar em cobardia, cobardia de enfrentar a tempestade, as ondas, a fúria do desconhecido, o receio das consequências. Entretanto tenho noção que a minha segurança pode significar a incapacidade de ajudar quem também se encontra nessas águas incertas, imprevisíveis e geladas. Há vento, há chuva e há medo, há incerteza e há o tempo que também não pára e não espera por ninguém e o som, o som é o assobio do vento e é como um sussurro que me diz ou pretende dizer que há que tomar decisões. Será esse vento verdade...

Retroceder

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Sei que não são poucas as vezes e que também não sou o único... a desejar conseguir, de algum modo, poder voltar atrás no tempo, dar um pulo ao passado, dar um pulo a qualquer momento que pudesse marcar a diferença no presente e por conseguinte no futuro que se aproxima. Voltar atrás para poder alterar alguma decisão que por sua vez seria responsável por alterar o agora. Diversas são as razões que muitas vezes nos fazem querer retroceder, mas infelizmente não podemos fazer isso porque as decisões só podem ser tomadas uma vez porque elas têm o seu tempo e o tempo presente onde acontecem as coisas, o agora, esse instante, que só acontece uma vez, e é tão ínfimo que estas minhas palavras não são capazes de o acompanhar, porque desde o momento em que elas surgiram na minha cabeça, até ao momento em que já saíram dos meus dedos e apareceram aqui neste ecrã, já se passaram tantos segundos, tantos instantes, tantos "agoras" que já são parte do passado. E mes...