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Na ausência

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É na ausência de algo ou alguém que nos damos conta que tudo aquilo que temos (nem que seja um possuir aparente), ou que já tivemos, nos deixa a vaguear pelos devaneios do vazio quando a perdemos, quando não a conseguimos encontrar ou quando simplesmente está longe de nós. Assim como…. Na ausência de um olhar, podemos sentir-nos desencontrados. Na ausência de um abraço, podemos sentir-nos frios e frágeis. Na ausência de um beijo, podemos sentir-nos vazios. Na ausência de alguém para nos dar a mão, podemos sentir-nos desequilibrados e sem destino no meio de um labirinto. Na ausência de um amigo, podemos sentir-nos inadequados, inconsistentes e sós. Na ausência da(s) pessoa(s) que nos completa, podemos sentir-nos a cambalear e desamparados. Na ausência da confiança dos outros em nós, sentimo-nos tristes e desmotivados. .................. Poderia ficar aqui a tentar enumerar e descrever “N” coisas, em que na sua ausência, somos capazes de ficar num estado que não é o que entendemos por no...

Levanta e Sorri

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Eis as palavras que encontrei num dos comentários deixados aqui no meu blog e que são sinónimos de um conselho de alguém que certamente vê a vida como se se tratasse de uma tela de Monet, onde não falta a luz, cintilante e que aviva as águas de um lago, ou de um rio, que sorriem através de milhares de minusculos pontinhos luminosos que deixam apenas espaço para o reflexo das inúmeras cores da vida que por ali abundam e que dão forma a inúmeras texturas sólidas. Um conselho que deviamos seguir ao abrirmos os olhos pela manhã, ao cheirarmos um novo dia. Fazer de conta que é Domingo (por acaso hoje até é)! Gostaria de pegar nesse sentimento, nessa ideia, e a gravar isso no arranque do meu cérebro pela manhã, sobretudo para dar uso durante os dias da semana. Aqueles dias em que acordar para de seguida ir exactamente para onde não se quer ir, e ver quem não deixa saudades na sua ausência, aquele sitio onde tudo o que nos atrasa dá um passo de gigante, os segundos são minutos, os minutos sã...

And daylight comes and fades with the tide

Porque há músicas que não nos são indiferentes, ao ouvir essa de Beth Gibbons ( Portishead ), " Show ", aproveitei para deixar aqui umas palavras... Quantas são as vezes em que palavras dessas surgem nos nossos pensamentos sob a forma de uma questão ou de uma conclusão? Há dias que se passam que nem sequer nos deixam passar do "ontem" para o "hoje" porque nem tão pouco fomos capazes de deixar pegadas à entrada da porta ou onde quer que seja. Será que existiram e alguém as varreu?! Nesse constante e fervoroso "rolar de nuvens" não nos podemos esquecer que temos de nos encontrar e guiar ao longo do nosso "espectáculo" personificado no palco da vida com um guião contínuo e improvisado diariamente. Escrever isso, pode-se dizer é parar para pensar e fazer uma pausa no movimento da maré que varre as horas e os dias e não nos deixa senão com uma vaga memória para o dia de amanhã. O que é que há de bom nisso? Talvez conseguir não incluir ness...

Campos abertos ao céu

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Depois de tanto tempo sem por cá os pés, decidi que era finalmente altura de visitar o meu blog e arrancar as ervas e os paranhos que foram crescendo ao longo destes dias de abandono que se passaram. Como se se tratasse de estar numa divisão sem tempo e sem espaço, é assim que vejo as palavras que hoje ficam aqui, que têm como função apenas marcar presença, marcar uma existência. Uma existência que é como estar nessa tal divisão que só existe porque nós existimos e que ao mesmo tempo é nada e é tudo. Tudo o que temos. No delineamento dos dias que se passaram, posso dizer que, foi como estar no meio de campos abertos ao céu e montanhas, onde os espaços planos se fundiam com subidas e descidas que tinham de ser exploradas. E como tudo o que fazemos, e tudo o que nos fazem, faz parte da vida, o que é preciso fazer é pegar nisso e transformar isso em experiência de vida. Aprender a saber que quando subimos podemos descer e que quando descemos podemos encontrar um nova subida e que nen ...

Fonte de Energia

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E entre tempestades de sol, chuva e vento se constroem os dias do dia-a-dia de uma casa onde a incerteza é a única certeza, é a única probabilidade possível num mundo aleatório que surge com o som da chave na fechadura no entrar ou no sair dessa casa. No entanto, é muitas vezes no evacuar do meio dessa confusão, dessa tempestade, que encontro a bonança que me acalma e me leva para longe. Há dias em que as pessoas parecem estar a passear no meio de uma neblina como se não passassem de fantasmas, de espectros que me iludem e me deixam a balançar em questões relacionadas com o quanto eu as conheço ou o quanto elas me conhecem, e o que é que dá origem a essa neblina que por vezes tem tendência a tornar-se cada vez mais densa e sólida, dando espaço apenas àqueles que parecem importar verdadeiramente. Mas nem tudo há-de ser mau, incerto ou desmotivante...e saber que se tem um abraço disponível para nos acolher, um beijo para nos reconfortar, uma palmada nas costas para nos acalmar ou uma pa...

O turno do sol

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Sobre os braços abertos, as mãos dadas e os dedos cruzados, deito-me e olho para o céu viajando ao som das ondas pelos instantes de ontem, pelos instantes de hoje e imaginando os instantes de amanhã. Faço uma pausa e absorvo os últimos raios que o sol tem para oferecer no final do seu turno. O mar não fez uma pausa e continua incansável no seu jogo com a areia, indeciso se há-de ficar ou se há-de ir. Estou cansado do dia de hoje, dos dias antes do dia de hoje e aproveito a voz das gaivotas para dar asas ao que me cansa e deixar-me continuar a minha viagem...

Barreiras

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Todos nós percorremos o nosso caminho na expectativa de encontrar a nossa meta e alcançar aquilo a que todos chamamos de felicidade. Na solidão, ou na companhia daquelas pessoas que conseguimos encontrar e que abraçamos, tentamos ultrapassar os obstáculos que vão surgindo e um dos grandes obstáculos é o denso nevoeiro que às vezes desce e rasga o chão, tirando o apoio debaixo dos pés, deixando-nos a flutuar. É incrível como tudo pode ter uma barreira e que ao saltar essa barreira estamos a pisar a relva ou a terra de um campo totalmente diferente, onde o bem passar a ser o mal, onde o certo passa a ser errado, onde o amor passa a ser algo estranho, onde a música passa a ser silêncio, onde o dia passa a ser noite e onde o calor de uma chama se transforma numa pedra de gelo que congela os sentimentos. Talvez seja nesse momento que encontro o meu piano fechado a sete chaves, engasgado com as palavras que não saem e que se dispersam por caminhos infinitos ao longo de notas silenciosas e h...