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Resposta na Travessa

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Durante vários minutos, olho para aquele traço preto vertical que não pára de piscar à espera que alguém decida pressionar umas teclas após pensar qual será trajecto a fazer durante o saltitar dos dedos sobre pequenas peças de plástico, como se se tratassem de pedras soltas num rio, onde a água podia ficar encarregue de trazer algumas palavras e quem sabe até frases que preenchessem todo aquele rectâgulo branco, vazio e frio. Nesse saltitar de pensamentos por cima de letras, ou de pedras, lembro-me de uma conversa banal que de repente se torna num título escrito a vermelho e com letras a Negrito. Resultado de uma fuga de palavras que não pedem permissão para irem dar uma volta e acabam por fazer asneira, porque com a sua ideia de saírem acabam por ir buscar mais palavras que por sua vez vêm acompanhadas de pontos de interrogação, e como os pontos de interrogação são como convidados em nossa casa, que não podemos simplesmente deixá-los sozinhos na sala a verem televisão enquanto vamos...

Surpresas

Com ou sem surpresas vamos trilhando os fragmentos de vida que nos são dados todos os dias e nos ajudam a chegar a algum lado, algum lado que não sabemos ao certo qual é, mas pensamos que sabemos. É talvez nesse pensamento que encontramos a base para continuar este trabalho que pode ser duro ou então como alternativa pode ser que já tenham algo definido, um objectivo e em vez de estar "às aranhas" com o dia-a-dia, está-se preenchendo as linhas de um diário que já tem as suas páginas contadas [como se isso fosse possível se a vida for vivida livremente]. Quantas vezes damos por nós a questionar se o aqui e o agora em que nos encontramos são aquele "estar" ou aquele "ser" que havíamos programado nos momentos de silêncio, nos momentos de passeio pelas ruas dos locais visitados durante as viagens que nem sequer chegamos a levantar voo. Ao que parece isso é uma brincadeira que fazemos connosco próprios. Até que ponto podemos delinear o dia de amanhã, quando tud...

Dias de ausência

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Têm sido dias vazios aqui no blog, onde a julgar pela ausência de letras, palavras, sons e imagens, se podia pensar que está tudo estagnado. Contudo essa não é a realidade global porque há coisas que não conseguem estagnar, ao passo que também há outras que parecem que simplesmente ficaram presas no tempo. Mas como a vida, e esse pode não parecer sempre o mesmo ponto de vista, não gira como se estivesse em cima de um disco de vinil , temos de admitir que há sempre qualquer coisa nova no bailar dos dias, nem que sejam dois dedos de conversa com alguém, onde as palavras não se limitam ao banal, não se limitam ao abrir automático da boca pela qual saem as mesmas palavras gravadas e de resposta praticamente instantânea como se se tratasse de uma atendedor automático de chamadas. Dois dedos de conversa são como a tona da água de uma piscina imensamente profunda, para a qual não temos capacidade de alcançar o fundo invisível apagado pela profundidade de um saber repleto de pensamentos, ideia...

Sem título - 3

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... - Pois, mas eu não sabia disso. Contudo eu não estou em coma e de qualquer maneira também estou aqui. - Não é só quem está nesse estado que vem aqui parar. Mas para tua informação, e como estranhamente pareces não te recordar, devo dizer que é esse o estado em que te encontras nesse momento. - Eu?! Em coma?! - Sim, não é contigo que estou a falar? - Bem, cada vez percebo menos. - Então deixa-me dar-te uma pequena ajuda...Já não te lembras do telefonema que fizeste para a redacção daquele jornal para o qual disseste que ias enviar uma carta com algo que gostavas que publicassem e que também seria de certa forma a explicação para aquilo que irias fazer? Estás aqui exactamente por teres feito o que disseste que ias fazer, só que pelos vistos as coisas não correram como tinhas planeado, porque se tivessem corrido, não estavas aqui, e provavelmente terias ido parar directamente à Porta do Infinito. - Como é que sabes isso? Viste na tua bola de cristal foi? - Eu não preciso de recorrer a...

Sem título - 2

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... - Não. Não vejo nenhum espelho. Mas também não preciso de um espelho para saber que existo. Posso olhar para mim e sentir a minha própria presença e porque é que haveria de precisar de mais alguma coisa para saber que eu existo? - Não te preocupes. Não deve tardar muito até que te apercebas que as coisas não são bem assim. - Mas afinal que sitio é esse? Ainda não me disseste! - Já que insistes em saber, posso dizer-te que isso é como se fosse uma sala de espera. Uma sala de espera onde não existem senhas para atendimento e cada um decide quando chegou a sua hora de ser atendido . Por quem, eu não sei. Estás a ver aquela porta lá ao fundo, bem longe daqui, e que parece uma miniatura?! Pois bem, quando tomares a tua decisão saberás que irás entrar numa destas duas portas, ou na que está atrás de ti ou naquela atrás de mim. - E o que é que há para além daquela porta? - Isso ninguém sabe, nem mesmo eu sei! Acho que também só vou saber quando eu sair daqui e optar por atravessá-la. Mas...

Sem título - 1

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- O que fazes aqui?! - Não sei, abri os olhos e estava aqui, a caminhar na tua direcção. Que sitio é este? - Em breve descobrirás, mas primeiro tens de descobrir se deves ou não estar aqui. Fecha os olhos e olha para trás, olha para aquilo irá ficar submerso na imensidão do dia e da noite. Aqui não há dia e também não há noite, apenas esse ponto intermédio, um estado neutro. - Suponho que esteja aqui porque tenho de estar aqui. Talvez isto seja apenas um sonho e daqui a pouco vou acordar e ver a luz do sol na janela ou a claridade da lua sentada no deserto das estrelas. - Quem sabe?! Mas deixa que te diga que a vontade de cada um é que decide o seu destino, mas para quem não acredita em destino, podemos dizer apenas, que cada um projecta ou executa o seu futuro, a sua escada. Porque razão haverias de estar a ter este sonho? O que te faz querer estar num sítio assim, um sítio onde não existe nada? - O que é que não existe? - Nada. Não existe nada. Já te disse. - Hum , existe sempre qual...

Desconexo

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Na ferocidade que jorra pela fonte das palavras que camuflam armas destruidoras de vivências encontra-se o motivo para as horas incógnitas e amplamente debatidas pelas hipotéticas ocorrências daí resultantes. Horas que servem de palco ao vaguear de pensamentos inquietos que são importantes e ao mesmo tempo tão desprezáveis quanto as mentiras e as maldades que encontramos no debulhar do tempo do nosso dia-a-dia. Fachadas erguidas muitas vezes com altivez e que no entanto, no reverso da moeda, não encontramos nada digno de relembrar, de assinalar e guardar. Um vazio que está dentro de um invólucro que nem o ar consegue preencher, quanto menos o nosso olhar e a nossa vontade de ali imaginar alguém, uma pessoa, um suporte. É o pensar no amanhã e no olhar para trás, mas sem nada encontrar, que faz aparecer as questões, perante as quais já nem me dou muito ao trabalho de revirar o que quer que seja na tentativa de encontrar uma verdade, uma certeza. Lá fora chove e faz vento, está frio! Os ...